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 A rua das três meninas

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† Maurício †
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MensagemAssunto: A rua das três meninas   Seg 04 Fev 2013, 01:49

Estava na "Rua das Três Meninas", como popularmente chamavam aquele
beco. Deviam ser oito da noite, mas o relógio insistia em assinalar nove
e meia. Encostei me num poste apagado. Ajeitei-me entre as sombras,
procurando uma maneira de me tornar invisível. Quando consegui, calei.
Fiz um silêncio profundo, um vazio de tumba secular. Possivelmente meu
coração tenha cessado naquele momento. Então, o mais difícil: esperar.

Sempre compreendi a mente dos assassinos. O sorriso sádico escondido
atrás de uma máscara, o ansioso segundo que precede o grito, a paz que o
silêncio eterno traz. Justificativas, impulsos e prazer. Todos têm um
assassino dentro de si, embora nem todos tenham coragem de libertá-lo.
Eu o fiz. Porém, quando meu assassino interior viu seu rosto refletido
no meu, deixou-me no chão do banheiro, a faca que usara, ainda
ensangüentada, posta ao meu lado. Nunca mais voltou, por mais que eu
quisesse. Compreendia os assassinos, e o medo que cada um deles sentia
de si mesmo.


A noite precipitara sobre os telhados um pouco mais. Avistei uma estrela
agonizante debatendo-se em vão contra a chuva que começava. Um homem
dobrou a esquina. Seus passos confessavam a pressa que o pavor provoca.
Aquela rua era evitada por quase todos, mesmo durante o dia. Ali, poucos
anos atrás, três meninas que haviam se perdido de uma excursão escolar
foram brutalmente assassinadas. Os suplícios sofridos por elas e as
lendas que foram contadas em torno disso fizeram daquela quase que uma
rua deserta. Por isso, causou-me surpresa ver aquela figura solitária,
principalmente pela hora avançada.


O homem parou. Encostando-se na parede, aproveitou para tomar fôlego.
Claramente fugia de alguém. Porém, como eu descobrira pouco tempo antes,
não há aonde ir quando se foge de si mesmo. Era essa a minha dor, era
esse o motivo de eu estar ali. Vi uma mancha escorrer pela parede branca
quando ele dela se afastou: sangue. Saltei de meu esconderijo de
trevas. Era o momento que eu esperava. A palidez de seu rosto ao me ver
destacou-o da escuridão. Aparentava pouco mais de quarenta anos. Era
magro, e vestia uma camisa imunda e calças já muito velhas. O susto
inicial transformou-se em pavor quando comecei a caminhar na direção
dele. Teria corrido na direção oposta a que eu vinha, mas a lembrança
daquilo de que fugia ainda estava recente. Ao me aproximar, vi que o
branco original da camisa que ele vestia havia sido quase que totalmente
consumido pelo vermelho de um sangue ainda pulsante. Quase me esquecera
de como sangue combinava bem com aquela rua.


Cumprimentei-o, mas minha voz foi diluída pelo ruído da chuva que
aumentava. Num impulso, o homem saltou de onde estava e me derrubou.
Jogando-se sobre mim, demonstrava força muito maior do que seu tipo
aparentava. Atingiu-me diversas vezes no rosto e cabeça. Sentia-me
sufocado pelo meu próprio sangue, quando o homem parou subitamente.
Apoiou-se contra a parede, e lançou no ar um gemido que me pareceu um
misto de dor e desespero. Quando se encontrou sentado, começou a chorar.
Dizia coisas desconexas, e mais me pareceu uma criança perdida. Então,
vendo-o chorar, lembrei-me daquelas três meninas.


Eram belas, e nada pareciam com aquele idiota que estava na minha
frente. Tinham um frescor incomparável, eram doces e singelas. Mas o
choro era idêntico ao que eu ouvia agora. Como naquele dia, nada me
interessava a não ser nunca mais ouvir aquele som. Ergui-me na chuva, e
caminhei até meu oponente desconhecido. Antes que ele pudesse fazer
qualquer coisa, agarrei-o pelo pescoço, como fizera com a segunda
menina. Apertei com força, mas percebi que precisei de muito mais força
do que naquele dia.


Saí aquela noite convicto de que nunca mais retornaria para minha casa.
Entretanto, fui algoz daquele que deveria ter me libertado de minha
prisão carnal. Talvez tenha sido a lembrança, o choro, a camisa dele
suja de sangue. Não sei se me redimi ou pequei novamente naquela noite.
Só sei que após acordar de uma noite sono tranqüilo como há muito eu não
tinha, li no jornal a estranha notícia de um homem encontrado morto na
"Rua das Três Meninas". Ele fora estrangulado momentos após estuprar e
esquartejar a própria filha.
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